Quando a gente é pequeno, nossa maior conquista é saber andar de bicicleta sem rodinha. É um dos nossos maiores méritos e orgulhos saber andar naquela geringonça que aparenta ser simples, mas para mim pelo menos, é um negócio complicado. Vou contar um episódio e vocês tentem imaginar...
Não era um dia lindo, e os passarinhos não estavam cantando alegremente. Era um dia normal. Sábado. Eu, meu pai e meu irmão queríamos andar de bicicleta pelo bairro. Todos estávamos dispostos a andar bastante. Depois de subidas que eu orgulhosamente digo que não foram fáceis, acabamos ficando numa praça gigantesca que serve também de estacionamento e para montar a Festa Italiana da cidade. E foi aí que o problema começou.
Gostaria que vocês ao menos tentassem imaginar um lugar de uns 60 m² asfaltado e bonitinho num dia bonito e feliz. Uma pessoa (eu) de bicicleta vai ficar andando horas e horas, certo ?! Errado. Eu dei duas voltas naquele pátio enorme e vazio e já fiquei entediada. Eu queria radicalizar. Até que eu vi uma escada.
Companheiros e companheiras desse Brasil, eu tive então a brilhante ideia de descer a escada. E logicamente, eu tinha aquilo na cabeça e ia fazer. No momento em que eu subi a rampa e estava indo em direção à escada, eu estava me sentindo sensacional. Bom, isso até eu chegar na beirada do primeiro degrau da escada.
ENQUETE PRÉVIA !
Você acha que:
( ) eu desci tranquilamente, foi legal !
( ) FOI RADICAL, e eu fiz mais umas cinco vezes
( ) não deu certo
( ) foi uma péssima ideia
( ) não deu certo e foi uma péssima ideia
( ) vamos acabar logo com a enrolação
Quando eu cheguei a beira da escada, comecei a considerar a possibilidade de desistir daquilo e ser uma humana normal. Mas eu não ia desistir na frente do meu pai e do meu irmão, que ia ficar me zuando. Então eu fui.
E lá vamos nóóós ! Comecei a descer, e a minha linda bicicleta foi acelerando cada vez mais e eu fiquei com medo de cair, e numa incrível tentativa de parar a bicicleta no meio da escada (que, só por curiosidade, tinha 10 degraus), eu tentei colocar o pé no chão. E é claro que, pelas leis do mundo real em que vivemos, eu não parei a bicicleta e, pior de tudo (chegamos ao clímax da história), eu bati a parte traseira da coxa direita no cano do meio da bicicleta e, naquele momento, eu vi um hematoma mais instantâneo que Nissin Lámen na minha perna. E doeu. Doeu muito.
No final das contas, eu tive extrema dificuldade de sentar em qualquer lugar por alguns dias, e podem acreditar: depois de três semanas, o hematoma ainda está aqui. Eu até calcularia a circunferência inicial do hematoma, mas isso envolve pi e eu estava mais preocupada em colocar todo meu peso na minha nádega direita para voltar pra casa.
Foi uma experiência de muito aprendizado, devo admitir, mas pra você que acha que isso foi maluquice ou burrice ou sei lá, fique sabendo amigão, que essa não foi a primeira nem a última que eu aprontei, vem mais por aí.

